Blog do Roberto Ventura

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O efeito Bolsonaro: o bolsonarismo não foi derrotado; PL amplia força e transforma Congresso em novo campo de disputa

Ascensão da família Bolsonaro e fortalecimento do PL redesenham cenário político brasileiro, consolida bancadas históricas e impõe novos desafios ao futuro presidente

14/10/2026 20h08 - Atualizado em 14/10/2026 20h08
O efeito Bolsonaro: o bolsonarismo não foi derrotado; PL amplia força e transforma Congresso em novo campo de disputa

A família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve seis integrantes do núcleo mais próximo concorrendo nas eleições de 2026. Eles disputaram a Presidência da República, duas vagas no Senado e cadeiras na Câmara dos Deputados em três estados.

A estratégia busca preservar o espólio político do ex-presidente e ampliar a presença da família no Legislativo. Ao todo, três filhos, dois cunhados, um irmão, a atual mulher e uma ex-mulher de Bolsonaro entraram na disputa por cargos que vão da Presidência da República ao Legislativo federal e estadual.

Jair Bolsonaro ampliou a presença de sua família na política nas eleições de 2026. Michelle Bolsonaro foi eleita senadora e ficou entre as candidatas mais votadas, com 938.496 votos. Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno na disputa presidencial.

Outro filho do ex-presidente, Carlos Bolsonaro, foi eleito senador por Santa Catarina, com 1.902.100 votos. Jair Renan Bolsonaro, filho mais novo de Jair Bolsonaro, também conquistou uma vaga de deputado federal pelo estado.

A família ainda teve outros nomes na disputa. Renato Bolsonaro, irmão de Jair Bolsonaro, foi eleito deputado federal por São Paulo, com 379.300 votos.

Já Eduardo Torres, irmão de Michelle Bolsonaro, disputou uma vaga de deputado distrital pelo Distrito Federal. Ele recebeu 17.314 votos, mas não foi eleito.

Com os resultados, a família Bolsonaro mantém forte presença no cenário político nacional e amplia sua representação em diferentes cargos eletivos e estados.

O PL faz história no Congresso Nacional!


O Partido Liberal elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 deputados federais para a próxima legislatura - a maior bancada já conquistada por um único partido desde a redemocratização. Mesmo somando toda a esquerda - PT, PSOL, PDT, Partido Socialista, PCdoB e Rede - o bloco chega a apenas 124 deputados.

No Senado, o resultado também é histórico. O PL elegeu 19 novos senadores
e, somados aos 9 que já possuem mandato, chega a 28 senadores a partir de 2027, formando a maior bancada partidária da Casa desde a promulgação da Constituição de 1988.

São 28 dos 81 senadores e 121 dos 513 deputados federais. É uma representação expressiva no Congresso Nacional e que amplia significativamente a capacidade de articulação do partido no Legislativo.

O resultado das urnas mostra a força que o PL conquistou no Congresso e abre um novo capítulo na política brasileira. A partir de 2027, caberá aos parlamentares transformar essa representatividade em atuação legislativa, diálogo e defesa das pautas que receberam apoio nas urnas.

O Brasil entra em uma nova legislatura, e o Congresso terá uma configuração marcada pelo crescimento do PL.

A maldição petista


Os senadores de esquerda são apenas 16, em um total de 81. Os demais se dividem entre a centro-esquerda e a centro-direita.

Nas eleições para os governos estaduais, o PT elegeu, até agora, dois governadores: Elmano de Freitas, no Ceará, e Jerônimo Rodrigues, na Bahia. O partido ainda tem chances de conquistar outros estados no segundo turno.

No Rio Grande do Norte, o candidato Cadu de Lula disputa o segundo turno. No Amazonas, porém, a situação é mais delicada para o grupo petista. A professora Maria Evany do Nascimento, do PL, terá o apoio declarado de Flávio Bolsonaro, o que poderá influenciar não apenas a disputa estadual, mas também o cenário da eleição presidencial no segundo turno. Isso porque, Omar Aziz é um conhecido apoiador de Lula, e a disputa no Amazonas poderá ganhar um peso estratégico importante. Também haverá segundo turno no Acre, em Tocantins e no Espírito Santo.

O cenário, portanto, mostra que o PT enfrenta uma disputa difícil em vários estados. Entre alianças, rejeições e forças políticas regionais, cada resultado poderá ter impacto significativo na correlação de forças para o segundo turno presidencial.

No contexto do segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro recebeu o apoio de diversas lideranças políticas, entre elas o ex-presidente da República Michel Temer. Esse posicionamento sugere que uma parcela do MDB tende a apoiar sua candidatura.

Em Brasília, os ex-governadores Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg ficaram de fora e não conseguiram se eleger para a Câmara dos Deputados. Também não foram reeleitos Roberto Freire, no Distrito Federal, além de outros nomes de expressão nacional, como Randolfe Rodrigues, Marina Silva, Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, Gleisi Hoffmann, Simone Tebet, Manuela d’Ávila, Cid Nogueira, Aécio Neves, Fernando Haddad, José Dirceu, Roseana Sarney, Benedita da Silva, Paulo Pimenta e Soraya Thronicke.

O ministro do STF Luís Roberto Barroso disse certa vez: “Nós derrotamos o bolsonarismo.”

Não, ministro. O bolsonarismo não foi derrotado. Foi provocado, enfrentado e, ao que tudo indica, acabou se fortalecendo ainda mais. O resultado está aí, diante de todos.

A história ensina que movimentos políticos não desaparecem por decreto, por decisões judiciais ou pela simples vontade de seus adversários. Quando não se compreendem as causas de um fenômeno, corre-se o risco de alimentá-lo. Quem não aprende com as lições da história acaba condenado a repetir os mesmos erros.

Sobre o blog

Roberto Ventura: Bel. em   Ciências Sociais ( Cientista Político),   Jornalista, Radialista, Pós-graduado em Assessoria de Comunicação e Marketing, cursou Marketing Político, Ex-Arbitro de Futebol Profissional

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