'Está na hora de reagir', diz Francisco Sales sobre alta de impostos
Para Sales, a sociedade precisa reagir antes que a crise provoque uma “quebradeira total” e aumente o desemprego em Alagoas
O empresário, ex-vereador por Maceió, pré-candidato a deputado estadual e vice-presidente da Associação dos Supermercados de Alagoas (ASA), Francisco Sales, fez, nesta quinta-feira (16), um duro alerta sobre o peso dos impostos, a queda do poder de compra e o fechamento de empresas no estado. Para Sales, a sociedade precisa reagir antes que a crise provoque uma “quebradeira total” e aumente o desemprego em Alagoas.
“Não aguentamos mais pagar tantos impostos. Quando se aumentam os impostos e o governo só pensa em arrecadar, massacra os comerciantes e os empresários. As vendas diminuem, o poder de compra das pessoas cai e isso é ruim para todo mundo”, afirmou.
O alerta ocorre no momento em que Alagoas passou a integrar o grupo de estados com a terceira maior alíquota geral de ICMS do Brasil. Desde abril de 2026, o percentual subiu de 19% para 20,5%. A alíquota é inferior apenas às praticadas no Maranhão, de 23%, e no Piauí, de 22,5%, colocando Alagoas, ao lado de Bahia e Pernambuco, no terceiro maior patamar do país.
Sales relatou ter recebido a ligação de um empresário do setor supermercadista que atua há 25 anos com o mesmo CNPJ, emprega 70 pessoas e, diante das dificuldades enfrentadas, decidiu colocar o estabelecimento à venda.
“Ele me ligou oferecendo a loja e perguntando se eu tinha interesse em comprar. Eu pedi que não vendesse e esperasse esse momento passar. Mas ele respondeu que não dá mais para trabalhar, porque o governo fica com tudo e o empresário com quase nada”, contou.
Segundo Francisco Sales, somente no último mês, 14 lojas fecharam as portas em Arapiraca. O próprio empresário decidiu adiar os planos de abrir três novos supermercados em Alagoas, que seriam instalados em Rio Largo, São Miguel dos Campos e Maragogi. Os investimentos poderiam gerar novos empregos e movimentar a economia desses municípios.
O relato coincide com os dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado. Em junho de 2026, as vendas do varejo brasileiro recuaram 2,8% em termos reais, na comparação com o mesmo mês de 2025. Foi o pior resultado para junho desde 2020, durante a pandemia. No primeiro semestre, a retração chegou a 2,2%, enquanto o Nordeste registrou queda de 1,4% em junho.
Para Francisco Sales, o aumento dos impostos acaba chegando ao consumidor, que já enfrenta alimentos, energia e combustíveis mais caros. Com o orçamento comprometido, as famílias reduzem o consumo, as empresas vendem menos, suspendem investimentos e passam a cortar postos de trabalho.
“Quando uma empresa fecha, não é apenas uma porta que se baixa. São pais e mães de família que perdem o emprego, ficam sem o seu sustento e passam a ter ainda menos condições de consumir. O poder de compra cai, o comércio vende menos e mais empresas correm o risco de fechar. É um ciclo que gera desemprego, pobreza e sofrimento para a população”, declarou.
“Está na hora de reagir. Os homens e as mulheres de bem precisam sair da zona de conforto e lutar por um Alagoas melhor. Se nada for feito, o estado vai empobrecer e todos vão sofrer: o trabalhador, o empresário, o comerciante e cada cidadão alagoano. Não podemos ser omissos diante do futuro dos nossos filhos e netos”, concluiu Francisco Sales.
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