Pesquisadora que fez vaquinha para pagar doutorado vira chacota na web
Pesquisadora Talita Beneli foi exposta pela influencer Barbra Marcondes ao abrir uma vaquinha para bancar parte do doutorado no exterior
Viralizou, nesse final de semana, a história da pesquisadora Talita Beneli, que abriu uma vaquinha para bancar parte do doutorado em uma universidade estrangeira e foi questionada pela influenciadora Barbra Marcondes.
Em um vídeo publicado no X (antigo Twitter), Barbra contou que recebeu uma mensagem de uma jovem que queria fazer um “intercâmbio” e questionou esse tipo de arrecadação. Sem citar nomes, ela afirmou que só concorda com vaquinhas para tratamentos de saúde e criticou financiamentos coletivos destinados a sonhos pessoais.
“Teve uma menina que acabou de mandar um textão na DM que ela quer fazer um intercâmbio para outro país. É o sonho dela e está fazendo vaquinha. Ô gente, a galera não é obrigada a financiar o seu sonho”, afirmou.
Apesar de não ter citado o nome da pesquisadora, a influenciadora debochou de quem pede dinheiro na internet, o que rendeu milhares de comentários com uma onda de ofensas. “Graças a Deus alguém para falar ‘foda-se os seus sonhos, ninguém liga'”, disse uma pessoa.
Outra afirmou: “Não conhecia a Barbara, mas concordo plenamente com ela. Não doo para Vakinhas de sonhos alheios. Não sou o Silvio Santos com a porta da esperança”. “Me dá um ranço a audácia das pessoas em achar que você devia tirar do próprio bolso para bancar um luxo dela enquanto milhares de pessoas com necessidades reais precisam de ajuda”, avaliou uma terceira.
Porém, horas depois, os internautas tomaram o lado de Talita, criticando a influenciadora. Segundo os usuários do X (antigo Twitter), o vídeo não informava que a campanha tinha a finalidade de ajudar uma pesquisadora aprovada para um programa de doutorado sanduíche e que o dinheiro arrecadado seria destinado ao pagamento das taxas para obtenção do visto exigido pela universidade.
“Na hora da Covid, de desastre natural, é ‘viva a ciência’. Mas quando é para apoiar (nem apoiar, mas só não fazer um vídeo de 10 minutos esculachando) pesquisadora doutoranda na única parte que o governo não cobriu, daí tem que humilhar ao invés de só dizer não”, defendeu um usuário da rede social.
Entenda a vaquinha da pesquisadora
Nas redes sociais, Talita explicou que foi selecionada para um programa de doutorado sanduíche financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Doutoranda em Ecologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela tentava arrecadar cerca de R$ 8 mil destinados ao processo de obtenção do visto necessário para realizar o período de pesquisa no exterior. Embora o programa seja financiado pela Capes, essa despesa não está incluída no auxílio oferecido.
Após a repercussão, a pesquisadora informou que conseguiu atingir a meta da campanha e agradeceu o apoio recebido. “Não há mais necessidade de divulgar a vaquinha, pessoal”, avisou nas redes sociais.
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