Processos contra o Ozempic se aproximam de 4 mil e incluem acusações de perda de visão
Segundo os processos, os autores afirmam que a fabricante Novo Nordisk sabia, ou deveria saber, dos riscos associados ao medicamento
O número de processos judiciais envolvendo o Ozempic e outros medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1 continua crescendo nos Estados Unidos. Segundo informações do portal Drugwatch, já são 3.928 ações registradas até agosto de 2026, com pacientes alegando que sofreram efeitos colaterais graves, como gastroparesia, íleo, obstrução intestinal e perda permanente da visão causada por neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION).
As ações foram reunidas em dois litígios multidistritais (MDLs), mecanismo utilizado pela Justiça norte-americana para centralizar processos semelhantes. Um dos grupos trata de casos relacionados a problemas gastrointestinais, enquanto o outro reúne as ações envolvendo alegações de perda de visão.
Segundo os processos, os autores afirmam que a fabricante Novo Nordisk sabia, ou deveria saber, dos riscos associados ao medicamento e não teria informado adequadamente os consumidores sobre esses possíveis efeitos adversos.
Entre as alegações apresentadas nas ações judiciais estão:
ausência de alertas sobre os supostos efeitos colaterais;
conhecimento prévio dos riscos por parte da fabricante;
divulgação de informações consideradas falsas, enganosas ou incompletas sobre a segurança do medicamento.
O primeiro processo relacionado à alegação de gastroparesia, condição conhecida como paralisia do estômago, foi protocolado em 2 de agosto de 2023. De acordo com o Drugwatch, até agosto de 2026 nenhum acordo global havia sido anunciado.
A bula do Ozempic também passou por alterações nos últimos anos. Em setembro de 2023, a Food and Drug Administration (FDA) acrescentou um alerta sobre íleo paralítico, condição caracterizada por disfunção intestinal. Já em janeiro de 2025, o documento passou a informar que o medicamento “não é recomendado para pacientes com gastroparesia grave”, embora não afirme que o próprio Ozempic provoque essa condição.
Em relação à perda de visão, os processos citam casos de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION). Segundo o Drugwatch, a bula do medicamento não menciona especificamente essa doença, mas alerta que alterações na visão podem representar um efeito colateral grave e também destaca riscos relacionados à retinopatia diabética.
As ações judiciais mencionam, entre as lesões alegadas:
gastroparesia;
obstrução intestinal;
pseudo-obstrução intestinal;
outras lesões gastrointestinais;
perda de visão e cegueira.
Segundo o Drugwatch, não há cura para a gastroparesia nem para a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION). Os autores das ações buscam indenizações por despesas médicas, perda da qualidade de vida e outros danos decorrentes das condições alegadas.
O Ozempic, cujo princípio ativo é a semaglutida, pertence à classe dos agonistas do GLP-1. De acordo com o portal, advogados também investigam possíveis casos envolvendo outros medicamentos da mesma categoria.
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