Meio ambiente

Morte de 80 cavalos de raça por intoxicação em AL ganha repercussão nacional

Caso foi registrado em Atalaia

Por Erick Balbino/7Segundos 20/08/2026 09h09 - Atualizado em 20/08/2026 09h09
Morte de 80 cavalos de raça por intoxicação em AL ganha repercussão nacional
Cavalos eram da raça Mangalarga Marchador - Foto: Ilustração por IA/Google Gemini

O caso envolvendo a morte de 80 cavalos da raça Mangalarga Marchador no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia, ganhou repercussão nacional após ser destaque no Jornal da Band desta quarta-feira (19). A reportagem abordou a investigação do Ministério Público de Alagoas (MPAL), que pediu à Justiça o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, ativos financeiros e participações societárias da Nutratta Nutrição Animal Ltda. S.A., de seu sócio majoritário e do administrador operacional/financeiro da empresa.

Segundo o MPAL, os animais morreram após apresentar sintomas graves de intoxicação, como letargia, falta de coordenação motora, marcha em círculos, cegueira, compressão da cabeça e insuficiência hepática. O prejuízo provocado ao haras é estimado em mais de R$ 82,57 milhões.

Vídeos registrados após a intoxicação, segundo o promotor Ary Lages Filho, mostram os animais em intenso sofrimento. “As imagens provocam compadecimento. Os cavalos estavam agitados, sentindo dores, metendo a cabeça na parede, cegos e com muito sangue no local”, afirmou.

Laudos e análises do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) apontaram a presença de substâncias altamente tóxicas na ração, entre elas a monocrotalina e alcaloides pirrolizidínicos, associados a plantas do gênero Crotalaria.

Conforme a investigação, os componentes teriam chegado à fabricação por meio de resíduo de soja contaminado, material proibido para uso na alimentação animal. Inspeções também identificaram irregularidades no processo de fabricação, como armazenamento inadequado de matérias-primas, ausência de segregação de insumos, mistura de materiais e falta de pesagem individualizada.

O MPAL sustenta que a empresa recebeu as primeiras reclamações sobre mortes de animais em 24 de abril de 2025, mas só iniciou uma investigação interna semanas depois. O recolhimento parcial dos produtos ocorreu em 5 de maio, quando já havia registros de mortes em diferentes estados. A investigação aponta ainda suspeita de que integrantes da empresa tinham conhecimento da contaminação e que informações falsas teriam sido apresentadas em notas técnicas.

Além das 80 mortes no Haras Nova Alcatéia, o MPAL cita pelo menos outras 284 mortes de cavalos em diferentes estados brasileiros relacionadas ao caso. Os investigados são denunciados por crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais e na legislação que trata dos crimes contra as relações de consumo. A ação busca responsabilizar os envolvidos e garantir recursos para a reparação dos danos causados ao haras.