Crise da Braskem coloca em alerta R$ 1 bilhão ainda devido a Alagoas
Petroquímica pediu recuperação extrajudicial com dívida de US$ 10,9 bilhões; acordo pelo desastre de Maceió prevê pagamentos principalmente após 2030
O pedido de recuperação extrajudicial da Braskem, apresentado nesta segunda-feira (24), acendeu um alerta sobre o futuro do acordo de R$ 1,2 bilhão firmado entre a petroquímica e o Estado de Alagoas pelos danos provocados pelo afundamento do solo em Maceió.
Quando o acordo foi anunciado, em novembro de 2025, a Braskem informou que R$ 139 milhões já haviam sido pagos. Isso significa que, daquele valor global, aproximadamente R$ 1,061 bilhão ainda estava previsto para pagamentos futuros.
O ponto de maior atenção está justamente no prazo estabelecido para a quitação.
Segundo fato relevante divulgado pela própria companhia na época, o saldo seria pago em dez parcelas anuais variáveis e corrigidas, principalmente após 2030, levando em consideração a capacidade de pagamento da Braskem.
A condição ganha nova relevância diante da atual situação financeira da petroquímica.
Dívida chega a US$ 10,9 bilhões
Nesta segunda-feira, a Braskem aprovou o pedido de recuperação extrajudicial para negociar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras.
A empresa vinha enfrentando forte pressão de caixa. No primeiro trimestre deste ano, possuía cerca de US$ 1,06 bilhão em caixa, diante de aproximadamente US$ 1,46 bilhão em vencimentos previstos somente para 2026.
A companhia também queimou cerca de R$ 5,9 bilhões em caixa em 2025 e outros R$ 4,6 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da XP Research baseado em informações da empresa.
As agências de classificação de risco também vinham rebaixando as notas da Braskem. Fitch e S&P levaram as avaliações para níveis associados a elevado risco de inadimplência e reestruturação, enquanto a Moody's reduziu a classificação para "Ca" em agosto.
Alagoas corre risco de não receber?
Neste momento, não há informação de que o acordo de R$ 1,2 bilhão com Alagoas tenha sido suspenso ou incluído entre as dívidas que serão renegociadas na recuperação extrajudicial.
A própria Braskem afirma que o processo tem escopo exclusivamente financeiro e não alcança obrigações com fornecedores, clientes e demais stakeholders, que continuariam sendo cumpridas normalmente.
Isso impede afirmar que Alagoas deixará de receber os valores.
Por outro lado, a deterioração da capacidade financeira da companhia cria uma questão que deverá ser acompanhada pelo Governo de Alagoas: quais garantias asseguram o pagamento de mais de R$ 1 bilhão previsto para os próximos anos caso a situação da Braskem se agrave?
A preocupação aumenta porque o próprio acordo estabeleceu que as parcelas são variáveis e que os pagamentos ocorrerão principalmente depois de 2030, considerando a capacidade de pagamento da companhia.
Estado abriu mão de ação
O acordo de R$ 1,2 bilhão não envolve apenas o recebimento de recursos.
O documento prevê compensação, indenização e ressarcimento pelos danos patrimoniais e extrapatrimoniais relacionados ao evento geológico de Maceió.
Em contrapartida, o acordo prevê a quitação integral da Braskem em relação aos danos reclamados pelo Estado e a extinção da ação judicial movida por Alagoas contra a companhia.
Esse aspecto torna ainda mais relevante esclarecer as garantias existentes para o pagamento das parcelas futuras.
Desastre já consumiu bilhões
A exploração de sal-gema em Maceió provocou o deslocamento de dezenas de milhares de moradores e a desocupação de bairros da capital.
Além do acordo com Alagoas, a Braskem possui diferentes compromissos relacionados ao desastre.
Segundo levantamento da XP Research, os desdobramentos do evento geológico já consumiram aproximadamente R$ 14 bilhões a R$ 15 bilhões do caixa da companhia em seis anos.
A crise do setor petroquímico também pesa. Os spreads de resinas no Brasil ficaram, em 2025, cerca de 35% abaixo da média histórica entre 2010 e 2025, enquanto a Braskem enfrenta despesas anuais com juros estimadas entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões.
Recuperação ainda terá novos capítulos
A recuperação extrajudicial abre agora uma nova etapa.
A Braskem terá até 90 dias para apresentar o plano final de reestruturação e precisará conseguir a adesão necessária dos credores abrangidos para buscar a homologação judicial.
Para Alagoas, porém, a principal questão passa a ser outra.
Com aproximadamente R$ 1 bilhão do acordo ainda projetado para o futuro quando o compromisso foi anunciado, o Governo do Estado terá de acompanhar se a reestruturação financeira da companhia poderá, direta ou indiretamente, afetar a capacidade da Braskem de cumprir o acordo.
Até o momento, não há confirmação de calote, suspensão das parcelas ou inclusão desse acordo na recuperação extrajudicial.
O cenário, porém, abre espaço para o Estado esclarecer quais garantias jurídicas e financeiras possui para assegurar o recebimento integral dos valores prometidos.
Veja também
Últimas notícias
Condutor de ciclomotor invade pastelaria e atinge clientes em Arapiraca
Motorista de prefeitura é preso acusado de importunação sexual no Agreste
Homem é assassinado com golpes de facão e tiros em Marechal Deodoro
Secretário de Desenvolvimento Social de Maceió é exonerado do cargo
Flávio Bolsonaro em Alagoas: confira agenda do candidato em Maceió e Arapiraca
Crise da Braskem coloca em alerta R$ 1 bilhão ainda devido a Alagoas
Vídeos e noticias mais lidas
Comandante da PM emociona em homenagem a coronel que morreu após mal súbito
Cliente denuncia demora na entrega de carro após pagar quase R$ 110 mil
ASA vence Goiatuba nos pênaltis e garante acesso á Série C
Abastecimento do Tabuleiro é paralisado para conserto de rompimento em adutora
