Polícia

Polícia reúne provas para esclarecer disparo que matou Amanda Rhuanny

Polícia Civil também investiga se houve excesso na atuação do militar durante abordagem

Por Gabrielly Farias 08/09/2026 16h04 - Atualizado em 08/09/2026 16h04
Polícia reúne provas para esclarecer disparo que matou Amanda Rhuanny
Amanda Rhuanny Lopes da Silva - Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Alagoas informou nesta terça-feira (8) que investiga a ocorrência que resultou na morte de Amanda Rhuanny Lopes da Silva, de 32 anos, registrada no último sábado (5), no bairro do Jacintinho, em Maceió. O caso aconteceu durante uma abordagem realizada por uma equipe da Polícia Militar.

A investigação é conduzida pela Divisão Especial de Investigação Criminal (DEIC), da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), sob responsabilidade do delegado Igor Diego, com participação de delegados e policiais civis da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo a Polícia Civil, a apuração foi determinada pelo delegado-geral da instituição e busca esclarecer as circunstâncias do ocorrido de forma ampla e transparente.

Veja nota

"Segundo as informações preliminares apuradas pela investigação, policiais militares foram acionadas após informes de inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) indicando a presença de indivíduos suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas nas proximidades da Grota do Cigano.

Durante a abordagem, os suspeitos, todos homens, teriam fugido do local, sendo perseguidos pelos policiais que realizavam a incursão. Enquanto isso, um dos militares, responsável pela condução do veículo, permaneceu nas proximidades da viatura. Nesse momento, algumas mulheres teriam se aproximado do militar e questionado a ação policial.

De acordo com os relatos colhidos até o momento, uma das mulheres teria avançado contra o policial e tentado retirar sua arma de fogo, ocasião em que ocorreu um disparo que atingiu Amanda.

O delegado Igor Diego ressalta que a investigação busca esclarecer, de forma técnica e imparcial, a dinâmica dos fatos e verificar se a atuação do policial ocorreu dentro dos parâmetros legais ou se houve eventual excesso.

Todos os policiais envolvidos na ocorrência já foram ouvidos. A arma de fogo utilizada pelo militar foi apreendida e será submetida à perícia. Também foi apreendida uma câmera que estava no colete do policial. Segundo a investigação, o equipamento pertence ao próprio militar e não se trata de uma câmera fornecida institucionalmente pela Polícia Militar ou pelo Estado.

As equipes da Polícia Civil também estão realizando diligências para localizar e analisar imagens de câmeras de segurança existentes nas proximidades do local da ocorrência, além de identificar e ouvir pessoas que presenciaram os fatos, incluindo mulheres que estavam no local e familiares da vítima.

O delegado esclarece ainda que a ocorrência foi apresentada inicialmente à DRACCO e que não houve encaminhamento do caso à DHPP para posterior transferência à DRACCO.

Igor Diego informou que foi determinada a formação de uma comissão integrada por policiais civis e delegados DRACCO e da DHPP para atuarem em conjunto no caso".

O que diz a Polícia Militar

Em nota divulgada na segunda-feira (7), a Polícia Militar de Alagoas informou que a ocorrência foi registrada junto à Polícia Civil para a adoção das medidas cabíveis no âmbito da Polícia Judiciária.

"A Polícia Militar de Alagoas (PM-AL) informa que a ocorrência foi registrada junto à Polícia Civil para a adoção das medidas pertinentes, no âmbito das atribuições da Polícia Judiciária.

Na esfera administrativa da PM-AL, a corporação ressalta que eventuais condutas de seus integrantes são apuradas conforme os regulamentos e as normas institucionais vigentes, por meio dos procedimentos cabíveis.

Dessa forma, não serão antecipadas conclusões, responsabilidades ou eventuais sanções antes da conclusão das respectivas apurações.

Caso surjam novas informações passíveis de divulgação, serão comunicadas à medida que houver elementos oficialmente confirmados".

Família contesta versão apresentada

A família de Amanda contesta a versão apresentada sobre a dinâmica da ocorrência. Em entrevista à TV Pajuçara, Wyllyany Ryelly, prima da vítima, afirmou que Amanda não teria agredido o policial nem tentado retirar a arma dele.

Segundo a familiar, o militar teria iniciado uma agressão durante a abordagem. Ela também questionou a possibilidade de Amanda ter tentado tomar a arma de um policial.

PM já responde a processo por tentativa de homicídio, diz MP


A promotora Karla Padilha, que acompanha o caso, afirmou nesta terça-feira (8) que o policial responsável pelo disparo contra Amanda já responde a um processo por tentativa de homicídio.

Segundo a promotora, o caso anterior foi registrado em 2024 e resultou em denúncia apresentada pelo Ministério Público. Ela afirmou ainda que o militar continuava atuando ostensivamente na mesma região, no Jacintinho, e que havia medidas restritivas impostas pela Justiça.

“A informação que tivemos é de que esse policial, autor dos disparos, já foi denunciado pelo Ministério Público por tentativa de homicídio. Ele continuava atuando ostensivamente na mesma área, que fica no bairro do Jacintinho”, declarou Karla Padilha.

Câmera corporal será periciada


A investigação também apura o funcionamento da câmera que estava no colete do policial no momento da ocorrência. Segundo informações apresentadas pela Polícia Civil, o equipamento teria sido desligado antes do disparo que atingiu Amanda no peito.

A câmera foi localizada e apreendida e será submetida à perícia para verificar os registros e esclarecer se há imagens relacionadas à ocorrência.

Amanda Ruanne Lopes da Silva, de 32 anos, foi atingida durante a abordagem e socorrida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dr. Ismar Gatto, no Jacintinho. Ela não resistiu aos ferimentos. A comerciária deixou dois filhos.