Saúde

[Vídeo] Mau hálito persistente pode indicar problemas além da higiene bucal

Especialistas explicam as principais causas da halitose e alertam para fatores como baixa salivação, refluxo, problemas nas amígdalas e alimentação inadequada

Por Giulianna Albuquerque com Danielle Ferro 09/09/2026 15h03 - Atualizado em 09/09/2026 15h03
[Vídeo] Mau hálito persistente pode indicar problemas além da higiene bucal
Otorrino Valéria Diegues e cirurgião dentista Bruno Almeida - Foto: Montagem 7Segundos

Escovar os dentes, usar fio dental e enxaguante bucal fazem parte da rotina de higiene, mas nem sempre são suficientes para acabar com o mau hálito. A halitose pode ter diferentes causas e, em alguns casos, estar relacionada a problemas que vão além da boca.

Segundo o cirurgião-dentista Bruno Almeida, a maioria dos casos tem origem na própria cavidade bucal e está relacionada à ação de bactérias presentes naturalmente na região. “É um problema multifatorial. Se dá basicamente quando as bactérias naturais da nossa boca fermentam a proteína do alimento”, explicou.

De acordo com o especialista, a higiene inadequada, principalmente a falta do uso do fio dental, pode favorecer o acúmulo de restos de alimentos entre os dentes e provocar a fermentação responsável pelo mau odor. “Uma grande parte dos problemas de mau hálito está realmente na boca”, afirmou Bruno.

Além da falta de higiene, problemas como gengivite, periodontite, acúmulo de tártaro e a presença de saburra lingual — aquela camada esbranquiçada que pode se acumular sobre a língua — também podem provocar halitose. O cigarro é outro fator associado ao problema.

Mau hálito pode ter outras causas


Apesar de muitos casos terem origem na boca, o mau hálito também pode estar relacionado a alterações no nariz, garganta e sistema digestivo. A otorrinolaringologista Valéria Diegues explica que essas possibilidades precisam ser investigadas quando o sintoma persiste. “Temos que investigar outras causas de nariz, de garganta e de estômago, que são os mais comuns”, afirmou.

Problemas como sinusite podem contribuir para o mau odor devido ao excesso de secreção. Já pessoas que respiram pela boca, especialmente quem tem rinite ou ronca durante o sono, podem apresentar ressecamento das mucosas e, consequentemente, mau hálito.

Outro fator citado pela médica é o caseum, também conhecido como cáseo, formado por pequenas massas que podem se acumular nas amígdalas. “O acúmulo na garganta daquelas massinhas que a gente chama de cáseo, que é resto de comida que gruda nas amígdalas, é muito comum de mau hálito”, explicou Valéria.

O refluxo gastroesofágico também pode estar associado ao problema. Quando o conteúdo do estômago retorna para a garganta, pode contribuir para o surgimento do mau odor.

Uso de “canetas emagrecedoras” exige atenção


Bruno Almeida também chama atenção para um fator que pode contribuir indiretamente para o mau hálito em pessoas que utilizam medicamentos para emagrecimento, como a tirzepatida.

Segundo ele, esses medicamentos podem retardar o esvaziamento gástrico e, associados à redução da ingestão de alimentos e líquidos, favorecer a diminuição da salivação. “O uso da caneta emagrecedora do Mounjaro ou da retatrutida provoca uma demora no esvaziamento gástrico e isso está provocando com que as pessoas bebam menos água, se alimentem menos”, afirmou.

O dentista ressalta, porém, que isso não significa que os medicamentos devam ser interrompidos. A orientação é manter uma alimentação adequada e garantir a ingestão de líquidos ao longo do dia. “Não é para parar de usar as canetas emagrecedoras. É bom para diabetes, é bom para muita gente, está emagrecendo, tendo vários benefícios com ela, mas é se disciplinar para comer na hora certa e tomar bastante líquido”, destacou.

Quando procurar ajuda?


Um dos desafios da halitose é que nem sempre a própria pessoa percebe o odor. Muitas vezes, quem identifica o problema primeiro são familiares, amigos ou colegas de trabalho. Por isso, quando o mau hálito permanece mesmo com uma boa rotina de higiene, os especialistas recomendam investigar a causa em vez de simplesmente conviver com o sintoma.

Valéria Diegues conta que já acompanhou pacientes cujo mau hálito afetava inclusive a vida profissional e o convívio social. “Cada sintoma tem um tratamento para a gente saber conduzir e resolver”, afirmou a otorrinolaringologista.

A avaliação pode começar com o dentista, especialmente quando há suspeita de problemas bucais. Dependendo dos sintomas, também pode ser necessário procurar um otorrinolaringologista ou gastroenterologista.


Assista a reportagem de Danielle Ferro e Gerson BlaBla: