Justiça

'Violência era visível': Perito detalha as marcas da morte de menino Rhavy

Criança foi encontrada morta em maio de 2025, na Garça Torta, com múltiplas lesões

Por Maria Villanova 19/10/2026 12h12 - Atualizado em 19/10/2026 12h12
'Violência era visível': Perito detalha as marcas da morte de menino Rhavy
Rhavy Abraão Alves de Lima, de 2 anos, foi encontrado morto em uma residência no bairro Riacho Doce, em Maceió - Foto: Reprodução

O julgamento de Nicole Maria de Lima Braga e Manoel Pedro Tavares de Souza teve início na manhã desta segunda-feira (19), no Fórum de Maceió. O casal é acusado pelo homicídio triplamente qualificado de Rhavy Abraão Alves de Lima, de apenas de 2 anos, ocorrido em maio de 2025 no Povoado Boca do Rio, na região de Garça Torta. Eles eram a mãe e o padrasto do menino, respectivamente.

Segundo a denúncia, a mãe de Rhavy chegou a abordar uma viatura policial alegando que o filho estava passando mal. Contudo, socorristas do Samu constataram que a criança já se encontrava sem vida quando foi encontrado. Nas investigações, os réus chegaram a alegar que o bebê teria passado mal subitamente e se machucado sozinha.

A promotoria sustenta que os réus agiram em conjunto por meio cruel, motivo fútil e mediante recurso que impossibilitou qualquer defesa da vítima. As defesas dos acusados optaram por apresentar suas teses absolutórias ou de desclassificação diretamente aos jurados no decorrer do júri. A sessão deve se estender ao longo do dia até a formulação do veredito pelo conselho de sentença.

Um dos depoimentos foi o do médico-legista Marcos Braga Xavier, que descartou que os hematomas teriam sido ocasionados por uma queda, ou algo do tipo. Segundo a perícia, a morte do menino não decorreu de causas clínicas, mas sim de uma hemorragia interna provocada por uma forte lesão no fígado, causada por um instrumento contundente.

O exame do Instituto Médico Legal (IML) também revelou marcas de cicatrizes e hematomas antigos espalhados pelo corpo do bebê, e que não seria possível precisar a hora exata da morte, mas que não tinha acontecido há mais de 24 horas, e o corpo tinha muito sangue no abdômen.

Dores de cabeça e orelhas roxas


A manhã também contou com o depoimento da ex-babá de Rhavy, identificada como Viviane. Segundo a jovem, ela tinha pouco contato com o casal e que soube de relatos de agressões contra a criança, mas nunca presenciou violência. Questionada pela promotora sobre quem batia no menino, respondeu que era a mãe.

A testemunha relatou ainda que em uma ocasião, Rhavy reclamou de dores de cabeça, e em outra, chegou à sua casa com uma das orelhas roxa. Ao questionar a mãe, foi informada que a criança havia prendido a orelha na porta. Sobre a morte, a babá disse que a mãe atribuiu o ocorrido a uma queda da cama, por volta das 11h.

O julgamento segue durante todo o dia.