Família busca arrecadar R$ 87 mil para cirurgia rara de criança no cérebro
Zoe Santos Cardoso teve a cirurgia remarcada duas vezes
A família de Zoe Santos Cardoso, de um ano e 11 meses, vive uma espera angustiante e que pode custar a vida da pequena. Isso porque a menina nasceu com uma condição congênita rara e grave, chamada de malformação de Dandy Walker, que afeta o desenvolvimento do cérebro e provoca um acúmulo de líquido na região. Ela precisará passar por uma cirurgia neurológica para diminuir a pressão craniana e precisa de R$ 87 mil para realizar o procedimento.
A criança é a caçula de quatro irmãs, que vivem em Aparecida de Goiânia, no estado de Goiás. Em entrevista ao Terra, Maria Aparecida Cardoso contou que Zoe nasceu prematura e já logo foi identificada essa malformação no cerebelo. Então, desde os primeiros dias de vida, a situação dela exige cuidados médicos e acompanhamento, apesar do bom desenvolvimento que tem tido. “É uma criança superesperta e inteligente”, descreve a mãe.
O que é a malformação de Dandy Walker?
Segundo o doutor Philipe Marques da Cunha, neurologista da Afya Educação Médica Belo Horizonte, essa condição congênita se caracteriza por uma má formação congênita rara do desenvolvimento do cérebro, provocando alterações nas estruturas da parte de trás do cérebro, chamada de fossa posterior.
“Esse paciente tem esse excesso de acúmulo de líquido, essa dilatação, essa compressão das estruturas, isso vai gerar uma repercussão significativa do cérebro, da calota craniana, tem esse grande risco de ter esse aumento de pressão intracraniana e, consequentemente, sintomas”, explica.
Entre os sintomas estão o atraso de envolvimento neuropsicomotor e alterações visuais. “Quando a gente tem uma hidrocefalia mais aguda, você tem cefaleia, vômito, rebaixamento do sensório, confusão mental, mas o grande problema é que a hidrocefalia em si vai causar dano nas estruturas cerebrais e consequentemente danos no paciente”, aponta o especialista.
Família procurou por acompanhamento particular
A assistência médica é realizada pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, uma instituição pública. No entanto, a Cida relata que há demora nos atendimentos, consultas e exames, e por isso, a família decidiu pagar médico particular para uma supervisão do caso um pouco mais rápida do quadro de saúde dela, pois qualquer demora poderia acarretar situações mais graves.
Até então, tudo caminhava bem, ocorre que o último exame revelou um acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano, ou líquor, nos ventrículos do cérebro, o que causa essa pressão na região. “Esse líquido está atrapalhando ela a caminhar normal, não tem como ficar firme. Fiquei desesperada”, explica.
A indicação médica é de que ela faça dois procedimentos para reverter o quadro, no valor de R$ 109 mil. A família já conseguiu pouco mais de R$ 22 mil e precisa de R$ 87 mil para conseguir realizar a cirurgia, que já foi remarcada duas vezes. A próxima data é para a próxima terça-feira, 14.
"Eu passo a noite acordada olhando para ela, para ver se ela vai ter alguma coisa, porque ultimamente ela não dorme direito à noite, se assusta muito. Eu fico morrendo de medo de acontecer alguma coisa”, desabafa.
Cida criou uma campanha de arrecadação online no site Vakinha.com e já conseguiu pouco mais de R$ 18,8 mil até a tarde desta quarta-feira (8).
Questionado sobre a demora no agendamento de consultas e até de um acompanhamento médico mais próximo, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG) afirmou que Zoe possui consulta agendada com a equipe médica no começo de agosto, “em conformidade com o planejamento assistencial previsto”. mas não deu detalhes do motivo da demora.
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