Eleições

Palmeira fica sem deputado da terra e perde espaço na política de Alagoas

Mesmo com ex-prefeito e nomes tradicionais na disputa federal, município termina eleição sem representante próprio na Assembleia e na Câmara

Por 7Segundos 05/10/2026 08h08
Palmeira fica sem deputado da terra e perde espaço na política de Alagoas
Júlio Cezar, ex-prefeito de Palmeira dos Índios, tentou uma vaga na Câmara Federal, mas sem sucesso - Foto: 7Segundos

Palmeira dos Índios terminou as eleições de 2026 diante de um cenário que acende um alerta para a força política do município em Alagoas. Uma das cidades mais importantes do interior do estado não conseguiu eleger um representante diretamente ligado ao município para a Assembleia Legislativa nem para a Câmara dos Deputados.

O resultado contrasta com a história política de Palmeira, que já teve forte representação estadual e federal e chegou, em outros momentos, a reunir vários deputados estaduais ligados ao município.

Na disputa para deputado federal, o ex-prefeito Júlio Cezar (PSD) mostrou força dentro de casa. Ele foi o candidato mais votado pelos palmeirenses, com 11.198 votos, equivalente a 27,55% dos votos válidos para o cargo no município.

A votação, porém, não foi suficiente para garantir uma das nove cadeiras de Alagoas na Câmara dos Deputados.

Mosabelle Ribeiro (União), outro nome diretamente ligado à política de Palmeira, recebeu 6.227 votos no município e também não conseguiu se eleger.

Juntos, os dois concentraram mais de 17 mil votos somente em Palmeira, mas terminaram a eleição sem mandato na Câmara.

Assembleia também fica sem representante da terra

A situação se repete na Assembleia Legislativa.

Palmeira chegou às eleições sem uma candidatura local de maior expressão para deputado estadual. O candidato mais votado na cidade foi Hugo Wanderley (MDB), com 3.677 votos. Ele foi eleito deputado estadual, mas sua principal trajetória política está ligada a Cacimbinhas.

Marcelo Victor ficou em segundo lugar em Palmeira, com 2.921 votos, seguido por Silvio Camelo, com 2.897. Ronaldo Medeiros recebeu 2.657 votos e Angela Garrote, 2.555.

Na prática, os votos dos palmeirenses para deputado estadual ficaram pulverizados entre candidatos com bases políticas em diferentes municípios.

De forte representação a ausência de nomes próprios

O cenário chama atenção quando comparado ao passado.

Palmeira dos Índios já teve governador, vice-governadores, deputados federais e forte presença na Assembleia Legislativa. Em determinado período de sua história política, o município chegou a contar com cinco deputados estaduais ligados à cidade em uma mesma legislatura.

Em 2026, o quadro é bem diferente.

Mesmo sendo um dos maiores colégios eleitorais do interior alagoano, Palmeira inicia um novo ciclo político sem conseguir transformar sua quantidade de eleitores em uma cadeira diretamente vinculada ao município na Assembleia ou na Câmara Federal.

A derrota dos nomes locais na disputa proporcional também abre uma discussão sobre a capacidade das lideranças de Palmeira de ampliar suas bases para além das fronteiras do município.

Júlio Cezar, por exemplo, venceu com ampla vantagem dentro de Palmeira. Recebeu quase 5 mil votos a mais que Mosabelle Ribeiro, mas a força concentrada no município não foi suficiente para garantir sua eleição.

O resultado das urnas deixa, portanto, um desafio para as lideranças locais: recuperar a representação própria de Palmeira dos Índios nos espaços onde são tomadas decisões estaduais e nacionais.