Reprodução simulada das mortes de irmãos e pedreiro é realizada sem a participação dos policiais
Laudo deve sair nos próximos 10 dias, podendo haver prorrogação
A reprodução simulada da morte dos irmãos Josenildo e Josivaldo Ferreira e do pedreiro Reinaldo da Silva, ocorrida em março deste ano, numa suposta troca de tiros com a polícia, foi concluída por volta das 23h dessa quarta-feira (13), no conjunto Village Campestre II, na parte alta de Maceió, sem a participação dos policiais envolvidos no caso.
A reconstituição foi realizada para tentar esclarecer várias dúvidas, uma vez que as versões dos policiais e das testemunhas são conflitantes. As ruas onde ocorreu a reprodução foram esvaziadas e isoladas pela polícia, tudo para não atrapalhar o trabalho da polícia. A reprodução teve início às 18h, horário próximo que o fato ocorreu. Testemunhas presentes foram ouvidas, elas estavam encapuzadas para não serem identificadas. Participaram da reprodução simulada, cinco peritos. O laudo deve sair nos próximos 10 dias, podendo haver prorrogação.
Josenildo e Josivaldo Ferreira, de 16 e 18 anos de idade, foram mortos no dia 25 de março, após uma abordagem policial. No dia do crime, eles tinham ido visitar uma tia, no conjunto Village Campestre e ao descerem do ônibus foram abordados pelos policiais. Segundo os policiais, os jovens estavam armados e atiraram contra os PMs. Dois dos quatro policiais ficaram feridos. Na suposta troca de tiros, os irmãos foram mortos. Os jovens foram socorridos e levados para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiram.
O exame residuográfico, que verifica se há vestígios de pólvora nas mãos dos irmãos não foi feito. O pedreiro Reinaldo da Silva foi acertado com um tiro no peito de bala perdida e também morreu. Outra vítima, não identificada, foi atingida de raspão na perna.
Familiares das vítimas contestam a versão dos policiais. Segundo parentes, Josenildo e Josivaldo eram portadores de necessidades especiais e não portavam armas de fogos. Os familiares dos jovens não participaram da reconstituição. A filha do pedreiro Reinaldo da Silva acompanhou a reprodução. Segundo ela, testemunhas não quiseram participar. “Com medo de represália, por ter família, eles não querem participar, se manteram afastados”, esclareceu.
Segundo o delegado dos policiais, Wilson Lins, os PMs envolvidos no caso estiveram no local, mas não participaram da reprodução simulada. “Tudo o que eles tem a dizer, já foi dito, na Delegacia, na Corregedoria da Polícia Militar. Eles vão apenas reiterar a matéria fatídica do crime”, afirmou Wilson.
Os policiais estão afastados das atividades operacionais por recomendação do Conselho de Segurança de Alagoas (Conseg), que acompanha o caso.
Acompanhe também a reportagem do Plantão Alagoas, da Tv Ponta Verde, que mostrou toda a movimentação no local da reprodução simulada:
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