Cadeirante está entre as 20 mulheres mais influentes do Brasil, segundo Forbes
Paraplégica após um acidente, Carolina Ignarra comanda a Talento Incluir, que promove a relação entre profissionais com deficiência e o mercado
Em 2001, Carolina Ignarra ficou paraplégica após um acidente e passou a se movimentar com cadeira de rodas. Em 2020, aos 41 anos, foi eleita pela revista Forbes uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil. O sucesso não tem segredo: é resultado de 12 anos de trabalho à frente da Talento Incluir, uma agência de consultoria que promove a relação entre profissionais com deficiência e o mercado.
Depois do episódio que marcaria sua vida de forma definitiva, Carolina afirma que chegou a se sentir inválida, até que recebeu o convite para retornar ao trabalho. Formada em Educação Física, ela trabalhava ministrando aulas de ginástica laboral em grandes empresas.
“Foi quando percebi que a deficiência era só mais uma característica na minha vida e que eu poderia continuar sonhando. O trabalho me ajudou a ter essa percepção”, afirma.
A partir de sua nova vivência no mercado, Carolina percebeu a necessidade de desenvolver um trabalho que pudesse ter um impacto social na vida de pessoas com deficiência. Desde então, já impulsionou mais de 7 mil carreiras.
“Eu passo por uma somatória de preconceitos, sou mulher e cadeirante. Mas nunca pensei que me olhavam diferente por causa da minha deficiência. Acreditei que eu estava ali por ser competente e as pessoas começaram a me enxergar assim também, levando em consideração o meu trabalho”, afirma.
Não é só contratar
Além de Carolina, a agência é composta por outras quatro pessoas cadeirantes. Durante as consultorias que desenvolve na Talento, a empreendedora chama a atenção não só para a dificuldade de contratação de pessoas com deficiência, mas para a situação das que já se encontram empregadas.
“A gente vê pessoas deficientes trabalhando há nove anos na empresa, mas ocupando o mesmo cargo em todo esse tempo. Contratar é um dos fatores, mas é preciso trabalhar na continuidade das carreiras também, de uma liderança mais inclusiva”, explica.
Ela esclarece que existe o estigma de que algumas empresas só querem cumprir com a cota estabelecida pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, mas a tendência é de que o mercado se abra cada vez mais para essas contratações.
“Incluir pessoas com deficiência abre os olhos para outro perfil de consumidor, para o desenvolvimento de produtos que atendam também às pessoas com visibilidade ou mobilidade reduzida, por exemplo”.
Para ela, o baixo número de pessoas com deficiência no mercado de trabalho envolve uma série de fatores. Não só a resistência das empresas, que se apegam a estereótipos, mas o fato de que, estatisticamente, há um baixo índice de mão de obra qualificada ou de formação superior destas pessoas.
“Não são todos os brasileiros que têm perfil para trabalhar em uma grande empresa, isso também acontece com pessoas com deficiência. Às vezes a pessoa não tem um comportamento corporativo desenvolvido”, destaca.
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