Perfil com ataques a estudantes gera alerta entre pais em Arapiraca
Conteúdos publicados em perfil de fofocas nas redes sociais preocupam famílias e educadores
Pais, professores e estudantes de Arapiraca manifestaram preocupação diante da atuação de uma página de fofocas no Instagram que, segundo relatos, vinha publicando conteúdos direcionados a alunos de escolas do município. As postagens, conforme denúncias encaminhadas à imprensa, expunham adolescentes, estimulavam comentários ofensivos e alimentavam situações que podem caracterizar violência digital.
De acordo com os relatos recebidos pela redação do Portal 7Segundos, o perfil compartilhava publicações envolvendo estudantes de diferentes instituições de ensino, abrindo espaço para ataques, humilhações e especulações sobre a vida pessoal dos jovens. A situação teria provocado apreensão entre famílias e profissionais da educação, preocupados com os impactos emocionais causados pela exposição pública de menores de idade.
Na manhã desta sexta-feira (31), usuários relataram que a página não estava mais disponível no Instagram. Até o momento, não há confirmação se o perfil foi removido pela plataforma ou desativado por seus administradores.
A repercussão do conteúdo ultrapassou o ambiente virtual e passou a afetar a rotina escolar de estudantes. Segundo o relato, a exposição de adolescentes nas redes sociais pode resultar em constrangimento, abalo emocional e prejuízos ao convívio social e ao desempenho acadêmico.

Cyberbullying
Especialistas alertam que esse tipo de prática pode se enquadrar como ciberbullying, caracterizado por atos de intimidação, humilhação ou perseguição praticados por meio da internet. Desde 2024, o bullying e o cyberbullying passaram a ser tipificados no Código Penal brasileiro, reforçando a responsabilização de condutas reiteradas de violência psicológica em ambientes físicos e virtuais.
Os números demonstram que o problema está longe de ser isolado. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), do IBGE, mostram que 12,7% dos adolescentes brasileiros entre 13 e 17 anos afirmaram ter sido vítimas de bullying virtual, o equivalente a aproximadamente um em cada oito estudantes. O levantamento aponta ainda que meninas são as principais vítimas desse tipo de violência.
Organismos internacionais também chamam atenção para o agravamento da violência no ambiente digital. A Organização das Nações Unidas (ONU) informou recentemente que 66% das crianças e adolescentes ouvidos em uma pesquisa internacional acreditam que o ciberbullying aumentou, enquanto metade afirma não saber como denunciar esse tipo de violência ou buscar ajuda.
Além dos danos à autoestima e à saúde mental, a exposição indevida de crianças e adolescentes pode gerar consequências jurídicas, especialmente quando envolve ofensas, divulgação de informações pessoais, difamação, injúria ou conteúdos que incentivem ataques coletivos contra vítimas.
Diante da repercussão do caso, pais e educadores defendem que a situação seja apurada pelas autoridades competentes e acompanhada pela imprensa, a fim de esclarecer os fatos, identificar eventuais responsáveis e ampliar o debate sobre o uso responsável das redes sociais e a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
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