Lobista amiga de Lulinha projetava ganhar R$ 100 milhões em um ano
Mensagens obtidas pela PF revelam meta de Roberta Luchsinger; PF apura elo de empresária com filho e ex-chefe de gabinete de Lula
A lobista Roberta Luchsinger estimava receber até R$ 100 milhões em 2024 a partir da facilitação de negócios de empresas com o governo federal, segundo mensagens obtidas pela PF (Polícia Federal). Os diálogos foram revelados pela revista Veja e o teor foi confirmado pela CNN.
Investigada por tráfico de influência, a empresária é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Conforme a PF, ela mantinha uma relação de sociedade informal com Lulinha e com o empresário Fernando Bittar.
Os três mantinham um grupo no WhatsApp com o nome de “Musaranhos” em que discutiam projetos junto ao governo federal. Segundo Roberta, ela e Lulinha “eram uma coisa só”.
Nos diálogos, o filho do presidente chega a dizer que Roberta quem cuidava de suas finanças. A empresária também indica nas mensagens que Lulinha evitava se expor, atuando pontualmente e em alguns casos.
As trocas de mensagens mostram que o grupo projetava altos ganhos com os negócios. Em um diálogo com o empresário Gustavo Gaspar, em janeiro de 2024, Roberta afirma que gostaria de receber R$ 100 milhões naquele ano.
A Polícia Federal apura a suspeita de que o grupo teria buscado favorecer a empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para possíveis contratos com o Ministério da Saúde. O empresário queria expandir negócios e conseguir a regulamentação de produtos medicinais à base de cannabis.
Para conseguir ter acesso direto ao Ministério da Saúde, o grupo de Lulinha, Roberta e Bittar recorreu ao então chefe do gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, para conseguir uma reunião com Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério.
A reunião só teria acontecido graças à atuação direta de Lulinha. “Pousei. Vou lá no Berge”, disse Roberta ao filho de Lula em 6 de março de 2024. “Que ótimo. Vai com tudo. Manda beijo para o Berge e fala que não fui porque você não chamou”, afirmou Lulinha.
Após o encontro, Marcola recebeu a minuta de um contrato para a venda de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde sem a realização de licitação.
Entre fevereiro e novembro de 2024, Roberta pagou contas e boletos de Marcola. Segundo a investigação, os valores somados dos pagamentos chegam a R$ 217.098. Além dos boletos, Roberta também comprou para ele joias avaliadas em R$ 9,2 mil.
A defesa de Marcola afirma que os pagamentos e as joias recebidas fazem parte de um empréstimo de Roberta ao ex-assessor do Planalto e que posteriormente foi quitado.
A defesa de Lulinha nega que ele tenha tido atuação irregular envolvendo administração pública brasileira. Em parecer sobre a investigação, a PGR (Procuradoria-Geral da República) apontou que a apuração não identificou conclusão de negócios com o governo federal.
O documento ressalta que a apuração da PF constatou contato entre a Roberta Luchsinger e Lulinha, mas que a máquina pública não fechou nenhuma negociação. A PGR também sustenta que o caso não envolve a participação de nenhuma autoridade com prerrogativa de foro e, por isso, o caso deve remetido para a primeira instância.
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