Saúde

Chuvas no Agreste favorecem proliferação do caramujo; veja como se proteger

A espécie invasora ameaça o meio ambiente e pode representar riscos à saúde pública

Por Erick Balbino/7Segundos 25/08/2026 12h12 - Atualizado em 25/08/2026 12h12
Chuvas no Agreste favorecem proliferação do caramujo; veja como se proteger
Chuvas no Agreste favorecem proliferação do caramujo-africano - Foto: Reprodução

O inverno segue até o dia 22 de setembro e, como é comum durante os períodos de maior incidência de chuvas no Agreste alagoano, o aumento da umidade favorece o aparecimento e a proliferação do caramujo-africano (Achatina fulica), espécie invasora que representa preocupação ambiental, econômica e de saúde pública.

O alerta emitido recentemente pela Prefeitura de Palmeira dos Índios serve também para outros municípios da região, incluindo Arapiraca e cidades vizinhas, onde quintais, hortas, jardins, terrenos baldios e locais com acúmulo de entulhos podem se transformar em ambientes favoráveis à reprodução do molusco.

Originário do Leste da África e introduzido no Brasil, o caramujo-africano é reconhecido como uma das piores espécies invasoras do mundo. Presente em pelo menos 23 estados brasileiros, incluindo Alagoas, o animal encontrou no país condições favoráveis para sua adaptação e expansão.

O clima quente e úmido, especialmente após períodos de chuva, contribui para o aumento da população do molusco. Além disso, o caramujo-africano não possui predadores naturais capazes de controlar sua proliferação no Brasil, o que torna o manejo adequado fundamental para evitar infestações.

Segundo a bióloga da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Bruna Mesquita, a limpeza dos espaços onde o animal costuma se abrigar é uma das medidas mais importantes para impedir sua disseminação.

“A limpeza e o manejo correto dos quintais, jardins e terrenos baldios representam a melhor forma de evitar a infestação deste molusco terrestre”, orienta a especialista.

Riscos à saúde

Além dos impactos ambientais, o caramujo-africano também é motivo de preocupação para as autoridades de saúde pública por poder atuar como hospedeiro de parasitas capazes de provocar doenças em seres humanos.

Entre elas está a meningite eosinofílica, relacionada à angiostrongilíase cerebral, uma doença que pode atingir o sistema nervoso e provocar sintomas como dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, febre, náuseas e vômitos. Em casos mais graves, pode haver comprometimento neurológico.

O molusco também pode estar associado à angiostrongilíase abdominal, doença que pode provocar sintomas gastrointestinais, incluindo dores abdominais, febre, náuseas e alterações no funcionamento do intestino.

O risco de infecção está relacionado à presença dos parasitas no molusco e em seu muco. Por isso, além de evitar o contato direto com o caramujo, é fundamental higienizar adequadamente frutas, verduras e outros alimentos que possam ter tido contato com o animal.

Bruna Mesquita ressalta que a presença do molusco próximo às residências exige atenção, especialmente quando há pessoas mais vulneráveis no imóvel.

“Os moradores de residências com crianças, idosos e pessoas com problemas no sistema imunológico devem ficar particularmente atentos à presença destes animais e procurar atendimento médico com rapidez para garantir um diagnóstico precoce e maiores chances de sucesso no tratamento e recuperação”, recomenda.

Como fazer a remoção

A retirada do caramujo-africano pode ser feita manualmente, mas exige cuidados para evitar o contato direto com o animal ou com sua secreção.

De acordo com a bióloga da Sesau, a população deve utilizar equipamentos de proteção durante o procedimento.

“As pessoas devem usar botas e luvas de borracha e colocar os caramujos africanos em um recipiente, a exemplo de um balde”, explica Bruna Mesquita.

Após a coleta, os moluscos devem ser submetidos ao procedimento de descarte recomendado pelas autoridades de saúde. Conforme a orientação divulgada pela Sesau, deve ser colocada água sanitária no recipiente, que deve permanecer fechado por um período de 24 horas.

“Na sequência, deve ser jogada água sanitária e o recipiente deve ser fechado, deixando os moluscos por um período de 24 horas. Após esse período, eles devem ser descartados em via seca e o líquido do balde descartado pelo sistema de esgoto”, detalha a bióloga.

Também é importante verificar a existência de ovos, geralmente encontrados em agrupamentos no solo, e seguir as orientações das autoridades sanitárias para o manejo adequado.

Atenção após as chuvas

Com a ocorrência de chuvas no Agreste alagoano, a recomendação é que os moradores intensifiquem a limpeza de quintais e terrenos, evitando o acúmulo de folhas, restos de materiais, madeiras, telhas, entulhos e outros objetos que possam servir de abrigo para os moluscos.

A orientação é manter esses espaços limpos, secos sempre que possível e livres de locais que favoreçam a reprodução do animal.

Em caso de contato com o caramujo-africano, Bruna Mesquita recomenda que a população fique atenta ao aparecimento de sintomas.

“Caso estes sintomas surjam após contato com esse molusco, o recomendado pelas autoridades de saúde pública é procurar a unidade de saúde mais próxima”, salienta.

Embora a simples presença ou o contato eventual com o caramujo não signifique, necessariamente, que haverá transmissão de doenças, a prevenção continua sendo a principal estratégia.

Em cidades como Arapiraca, Palmeira dos Índios e outros municípios do Agreste, onde as chuvas e a umidade criam condições favoráveis à proliferação da espécie, a atenção da população e a manutenção adequada de quintais e terrenos são fundamentais para reduzir a presença do caramujo-africano e minimizar seus impactos sobre o meio ambiente e a saúde pública.