Justiça

MPAL constata maus-tratos e condições insalubres em clínica de reabilitação

Inspeção encontrou pessoas amarradas, falta de alimentação adequada e residentes trabalhando sem remuneração

Por 7Segundos, com MPAL 31/08/2026 14h02 - Atualizado em 31/08/2026 14h02
MPAL constata maus-tratos e condições insalubres em clínica de reabilitação
Inspeção do MPAL identificou irregularidades em clínica de reabilitação em Anadia - Foto: Ascom MPAL

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) constatou uma série de irregularidades em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos localizada em Anadia, no interior de Alagoas. A fiscalização foi realizada nesta segunda-feira (31), após denúncias encaminhadas à Ouvidoria do órgão.

A promotora define a situação como atropelamento dos direitos e da dignidade humana. “Deparamo-nos com um local insalubre, descumpridor de todas as ações de proteção e acolhimento. O espaço que deveria cuidar e ajudar os residentes, tratando-os com violência. Havia pessoas amarradas, punidas sem alimentação, caracterizando tortura, quando os familiares pagam mensalidades acreditando que estão sendo recuperadas e isso é inadmissível”, destaca a promotora.

Entre as denúncias estão: uso abusivo de drogas- medicamentos-, existência de pessoas com problemas psiquiátricos, de portadores de deficiências física e mental, alimentação estragada, etc. “Tudo o que chegou ao Ministério Público, via Ouvidoria, foi constatado e precisamos agir para fazer valer os direitos de cada pessoa que lá se encontra”, ressalta a promotora Viviane Farias.

A ação ocorreu na Clínica de reabilitação conhecida popularmente como “Comunidade Jesus Te Ama”.

Apesar de, na denúncia, haver, também, trabalho escravo, o MPT não entendeu propriamente como tal. Foi verificado, portanto, que alguns residentes desempenham trabalhos de construção e reforma de instalações da clínica sem quaisquer remuneração.

“Outro absurdo, recebemos relatos, in loco, de que lá existe um quarto usado para conter residentes considerados descompensados, muitos permanecendo amarrados por três dias, inclusive, fazendo as necessidades fisiológicas dentro de um balde”, afirma estarrecida a promotora.