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Ministros aposentados do STF assinam carta pedindo apuração rigorosa

Os signatários afirmam ter “plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza” de Fachin para conduzir o Supremo diante da crise

Por 7Segundos com Poder 360 08/09/2026 08h08 - Atualizado em 08/09/2026 08h08
Ministros aposentados do STF assinam carta pedindo apuração rigorosa
Edson Fachin, presidente do STF - Foto: Gustavo Moreno/STF

Treze ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal enviaram na 2ª feira (7.set.2026) uma carta ao presidente da Corte, Edson Fachin, em que classificam o atual momento da Corte como a “mais aguda crise de sua história” e pedem a convocação urgente de uma sessão pública para discutir as suspeitas que envolvem integrantes do STF. Querem uma “rigorosa apuração”.

Os signatários afirmam ter “plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza” de Fachin para conduzir o Supremo diante da crise.

“Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de Vossa Excelência na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história”, diz o documento, publicado pelo jornal O Globo.

Os ministros aposentados afirmam ter “absoluta convicção” de que Fachin convocará, “com toda a urgência”, uma sessão pública para que o plenário determine uma “imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal”.

Segundo a carta, os fatos divulgados nas últimas semanas são “gravíssimos” e estão comprometendo “o prestígio e a autoridade” do STF, “a confiança do povo e até mesmo a estabilidade das instituições democráticas”. 

Assinam o documento: Néri da Silveira; Francisco Rezek; Sydney Sanches; Celso de Mello; Carlos Velloso; Ilmar Galvão; Nelson Jobim; Ellen Gracie; Cezar Peluso; Ayres Britto; Joaquim Barbosa; Eros Grau; Rosa Weber.

A carta não cita nominalmente Alexandre de Moraes ou André Mendonça nem menciona o Banco Master. O documento é divulgado, porém, depois do aumento da tensão dentro do Supremo provocado pelas investigações relacionadas ao fundador do banco, Daniel Vorcaro.

ENTENDA

Em 1º de setembro, Mendonça determinou a retirada do sigilo de um relatório de inteligência produzido pela PF (Polícia Federal) a partir da análise do celular de Vorcaro. O documento tem 218 páginas e reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos e outros dados encontrados no aparelho do ex-banqueiro. 

Entre os elementos analisados estão conversas de Vorcaro com autoridades e pessoas próximas ao poder, incluindo Moraes. O material também traz referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Há 52 mensagens de Vorcaro destinadas a um celular atribuído a Moraes. As respostas do ministro não aparecem no material.

Moraes pediu, na última 5ª feira (3.set), que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news por abuso de autoridade. Afirmou que o colega direcionou investigações contra ministros do STF, incluindo ele próprio, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques.

Na 6ª feira (4.set), Fachin retirou do inquérito das fake news o pedido feito por Moraes e determinou que a questão fosse incluída no mesmo procedimento aberto para analisar o relatório da PF sobre a relação entre Moraes e Vorcaro.

A pressão sobre o Supremo também chegou às ruas. Atos contra Moraes foram realizados em pelo menos 9 capitais no 7 de Setembro. A manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, reuniu 34.200 pessoas e teve a presença do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e do deputado Nikolas Ferreira (PL/MG).

Fachin também cancelou uma reunião com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti, e representantes das seccionais que estava marcada para 4ª feira (9.set). A entidade já havia defendido uma “apuração rigorosa e isenta de todos os fatos”.