Cultura

Cortejo do Bulba leva cultura às ruas da Ilha do Ferro e abre Primavera Cultural

Festival começou em Pão de Açúcar e percorrerá dez municípios alagoanos com atividades culturais e formativas

Por 7Segundos, com assessoria 14/09/2026 15h03
Cortejo do Bulba leva cultura às ruas da Ilha do Ferro e abre Primavera Cultural
Cortejo do Bulba abriu programação do Primavera Cultural na Ilha do Ferro, em Pão de Açúcar - Foto: Assessoria

Em meio a esculturas coloridas, peças feitas à mão, o casario de cores fortes e o azul do Rio São Francisco, a cultura ganhou as ruas da Ilha do Ferro, em Pão de Açúcar, neste sábado (12). O povoado sertanejo recebeu o primeiro Cortejo do Bulba, atividade que abriu a programação da terceira edição do Festival Primavera Cultural, que, neste ano, vai percorrer 10 municípios alagoanos.

A passagem do cortejo pelo povoado foi também um encontro entre diferentes expressões da cultura alagoana. Pela manhã, artistas e produtores locais participaram de uma capacitação em Direção de Arte em Projetos Multiculturais, conduzida pelo diretor de arte Helianderson Silva. À tarde, o aprendizado deu lugar à festa, com música, personagens, estandarte e manifestações da cultura popular ocupando as ruas e reunindo moradores e visitantes.

Para Leonardo Dias, diretor-executivo da OXE Produções, responsável pela realização do festival, a escolha da Ilha do Ferro para iniciar a jornada teve um significado especial. “A Ilha do Ferro hoje é um dos maiores polos culturais de arte de Alagoas. O lugar recebe muitos turistas”, destaca Leonardo. E o público que acompanhou o cortejo comprovou isso: visitantes de São Paulo, Rio Grande do Sul e até do Canadá se juntaram à caminhada, cantando, perguntando sobre a manifestação e querendo conhecer a origem do projeto.

“Durante o Cortejo do Bulba, a gente pode notar a presença de muitos turistas. Tinha um grupo de São Paulo que acompanhou o cortejo, cantando junto com a gente. Tinha gente do Rio Grande do Sul e do Canadá, que veio perguntar o que era o cortejo, que festa era e de onde nós éramos”, conta.

A resposta levava a outros caminhos: o festival nasceu em Arapiraca, mas foi pensado para percorrer diferentes territórios de Alagoas. Em cada parada, a proposta é conhecer, valorizar e colocar em evidência a produção cultural que já existe em cada comunidade.

Uma cultura que se encontra pelo caminho

Na Ilha do Ferro, o estandarte do Primavera Cultural foi conduzido pelas Marmotas, manifestação característica do povoado e presente nos carnavais e em outras produções culturais da localidade.

A escolha traduz uma das propostas do projeto: não levar uma programação pronta e simplesmente apresentá-la ao público, mas permitir que cada lugar deixe sua própria marca no cortejo.

“Minha intenção é que em cada cidade que formos teremos um folguedo local levando o estandarte do festival por todo o cortejo. Aqui na Ilha do Ferro foram as Marmotas, que são uma representação bem característica da comunidade”, explica Leonardo.

A tradição artesanal do povoado também chamou a atenção da equipe. Na passagem pela Ilha do Ferro, o grupo conheceu trabalhos de artistas locais, entre eles o espaço Don Olaria, do artista Rafael, e contou com o apoio do produtor local Tarciso na articulação da programação.

O próprio cortejo carrega uma espécie de memória itinerante. O Mastro Solar, criado pelo homenageado desta edição, Mestre Biribinha, receberá em cada município uma pequena lembrança produzida por um artista local. Na Ilha do Ferro, essa memória já foi incorporada ao mastro.

Um festival que provoca a cultura a florescer

Homenageado do Primavera Cultural 2026, Mestre Biribinha, nome artístico de Teófanes Silveira, é Patrimônio Vivo de Alagoas e um dos grandes nomes do circo e das artes cênicas do estado. Reconhecido pela Funarte como Mestre das Artes Brasileiras, ele também é responsável pela criação de elementos que acompanham o Cortejo do Bulba, como o mascote, o estandarte repaginado e o Mastro Solar.

A presença de Biribinha atravessa, portanto, a identidade visual e simbólica do projeto, que transforma o circo, os folguedos e as manifestações populares em uma grande celebração itinerante.

Nesta edição, o cortejo reúne ainda brincantes de folguedos alagoanos como Rasga Mortalha, Fogo Corredor, Jacaré da Ladeira do Claudionor e Cachorra da Palmeira, além de atores e atrizes alagoanos, parte deles de Arapiraca e Craíbas. Muitos desses artistas já haviam participado da edição anterior do festival, realizada em Arapiraca, em 2024.

Para Leonardo, essa mistura é justamente a essência do projeto. “Ser alagoano é isso: em cada município, descobrir a cultura e a arte local, provocar a cultura a se levantar e jogar poeira do que está guardado, brilhar mais o que está em alta também. O festival é uma provocação cultural, para a cultura florescer literalmente com essa primavera de setembro”, afirma.

E talvez seja difícil encontrar cenário mais simbólico para esse primeiro florescer do que a Ilha do Ferro.

Às margens do Velho Chico, onde o sertão de chão quente e rachado encontra a água do rio, a paisagem ganha outras formas pelas mãos de seus artistas. Animais fantásticos, esculturas, bonecas de pano, bordados, gaiolas, cerâmicas e detalhes coloridos transformam o povoado em um território onde a arte não está apenas nos espaços de exposição: ela faz parte da paisagem e da vida cotidiana.

Esse encontro entre território e criação é justamente o que o Primavera Cultural pretende levar para as demais cidades. Em cada parada, uma nova história, uma nova expressão e uma nova forma de olhar para a cultura alagoana.

“Fomos muito bem recebidos e acolhidos. As pessoas acompanharam o cortejo, cantando com a gente, se divertindo, homenageando quem está ali na nossa passagem. Estou feliz demais, muito realizado e, na verdade, estamos todos ansiosos para o próximo cortejo”, relata Leonardo.

A próxima parada já tem destino: Delmiro Gouveia.

Depois da Ilha do Ferro, o Bulba segue estrada afora. E, a cada município, leva consigo música, formação e personagens, mas também volta carregado de novas histórias, novos encontros e pequenos pedaços da cultura de cada lugar.

O Festival Primavera Cultural é realizado pela OXE Produções, produtora alagoana formada por Leonardo Dias, diretor-executivo, e Anderson Voba, diretor de projetos. O projeto é apresentado pelo Banco do Nordeste e foi selecionado no edital Rouanet Nordeste, promovido pelo Ministério da Cultura.