Justiça

Acusado de matar blogueiro em Junqueiro vai a júri popular nesta segunda

Carlos Henrique Ferreira Santos é apontado pela investigação como autor dos disparos contra Adriano Farias, morto em junho de 2024

Por Erick Balbino 03/10/2026 12h12
Acusado de matar blogueiro em Junqueiro vai a júri popular nesta segunda
Adriano de Farias foi assassinado dentro do próprio carro em junho de 2024 - Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Tribunal do Júri julga, nesta segunda-feira (5), Carlos Henrique Ferreira Santos, de 37 anos, acusado de envolvimento na morte do blogueiro de política Adriano de Farias Firmino Silva, de 33 anos, em Junqueiro, no interior de Alagoas. O crime aconteceu em 18 de junho de 2024, em meio ao período eleitoral, no povoado Retiro, zona rural do município.

Segundo as investigações da Polícia Civil e a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Alagoas (MP-AL), Adriano foi surpreendido por homens que estavam em um Jeep Compass enquanto dirigia um Volkswagen Nivus vermelho pela rua João José Pereira. O veículo teria emparelhado com o automóvel da vítima, momento em que foram efetuados os disparos.

O blogueiro havia saído de uma academia e seguia para casa quando foi atacado. Mesmo atingido pelos tiros, ele ainda conseguiu conduzir o carro por aproximadamente 50 metros, até perder o controle e colidir. O crime ocorreu nas proximidades da residência da vítima.

Conforme a acusação, o homicídio teria sido motivado por questões políticas e conflitos pessoais. Entre os elementos apontados na investigação estão publicações feitas por Adriano nas redes sociais com críticas à administração municipal, além de divergências relacionadas aos limites de propriedades rurais na região.

Carlos Henrique foi preso em 21 de agosto de 2024 por policiais civis durante uma carreata política em Teotônio Vilela, município vizinho a Junqueiro. À época, ele constava no cadastro de transparência da Prefeitura de Junqueiro como contratado para exercer a função de inspetor da Guarda Municipal, com remuneração mensal de aproximadamente R$ 1,9 mil.

O acusado também já havia sido alvo de outros procedimentos judiciais. Conforme levantamentos policiais citados no processo, havia registros relacionados a suspeitas de extorsão e homicídio, incluindo um caso de 2018, em Teotônio Vilela, e uma denúncia apresentada em 2022, em Junqueiro.

Durante a tramitação do processo, a defesa chegou a solicitar a transferência de Carlos Henrique para uma cela especial e, posteriormente, a concessão de prisão domiciliar. Os pedidos, porém, foram rejeitados pela Justiça, que manteve a prisão preventiva.

Na decisão que confirmou o julgamento pelo Tribunal do Júri, a Justiça também determinou a permanência do réu sob custódia. Em relação a outros dois homens que haviam sido investigados inicialmente, José Fábio de Lima e Hélio da Silva, o entendimento foi diferente.

Após a análise dos depoimentos e demais elementos produzidos durante a instrução processual, a Justiça concluiu que não havia confirmação suficiente dos indícios iniciais de participação dos dois na execução do homicídio. Com isso, eles foram retirados do processo, e as medidas cautelares que restringiam a liberdade de locomoção foram revogadas.

Também foi determinada a retirada das tornozeleiras eletrônicas utilizadas pelos dois. Assim, Carlos Henrique é o acusado que permanece submetido ao julgamento pelo Tribunal do Júri nesta segunda-feira (5).