Justiça

Irmã do blogueiro Adriano Farias relembra crime em Junqueiro e pede justiça durante júri

Testemunhas reforçam que morte teve motivação política

Por 7Segundos 05/10/2026 13h01 - Atualizado em 05/10/2026 15h03
Irmã do blogueiro Adriano Farias relembra crime em Junqueiro e pede justiça durante júri
Juri iniciou com atraso e deve prosseguir ao longo do dia - Foto: Assessoria/ MPAL

O julgamento de Carlos Henrique Ferreira Santos, acusado de executar a tiros o blogueiro Adriano de Farias Firmino Silva em 2024 na cidade de Junqueiro, começou com atraso na manhã desta segunda-feira (5). De acordo com as investigações da Polícia Civil e a denúncia formalizada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), o homicídio teve motivação política.

Adriano Farias, que tinha 33 anos, foi surpreendido pelos criminosos enquanto retornava de uma academia dirigindo seu veículo, um Volkswagen Nivus vermelho. Um utilitário Jeep Compass emparelhou com o carro do blogueiro e os ocupantes efetuaram múltiplos disparos de arma de fogo. Mesmo baleado, Adriano conseguiu conduzir o automóvel por cerca de 50 metros antes de colidir e falecer próximo à sua residência.

A defesa de Carlos Henrique Ferreira Santos, que foi preso em agosto de 2024, nega categoricamente a participação dele na execução. Os advogados sustentam a tese de álibi, afirmando que o réu não se encontrava no município de Junqueiro no dia e horário do homicídio, alegando que ele estava em um estabelecimento comercial em outra cidade da região.

A sessão de julgamento abriu a fase de oitivas com o depoimento de Rosineide Farias, irmã da vítima. Ela depôs por videoconferência, informando que o irmão fazia denúncias em seu blog, irritando políticos da região.

Ainda segundo a irmã da vítima, ele teria adoecido ao trabalhar numa cerâmica que pertenceria a Valdir Silva, e que ele teria feito ameaças quando a vítima foi cobrar os direitos. Segundo ela, Valdir é o mandante do crime junto com a mãe, Maria Rejane.

A depoente também informou que o irmão teria sido ameaçado, não sabendo falar se ele teria denunciado às autoridades. Também disse que só viu o réu no carro usado para o crime e que ele teria sido o autor dos disparos.

“Ficou todo mundo revoltado, ele era um menino bom. Até hoje a família está doente, ninguém mais tem saúde. Eu que fiz o reconhecimento, fui ao IML, fiquei em choque. A única coisa que eu quero é justiça”, finalizou, emocionada.

Prosseguindo os depoimentos, o deputado estadual Fernando Pereira, também por vídeo, informou que, quando soube do crime, já tinha conhecimento de que se tratava de um crime político, além de outras desavenças com Maria Rejane que, segundo ele, teria invadido um terreno que seria da mãe de Adriano, que denunciou no blog.

Segundo a testemunha, o réu já tinha histórico de outros crimes, mas que preferia não se aprofundar no assunto, e que outras testemunhas também teriam medo. Também informou que ele atuava como segurança de Valdir, tendo sido preso em uma caminhada de apoio, em Teotônio Vilela, nas eleições de 2024.

O julgamento segue ao longo do dia com o depoimento das demais testemunhas.