Justiça

Promotora diz que crime contra blogueiro foi político e cita suposta arma

Durante os debates, Adilza Freitas afirmou que há investigação sobre possíveis mandantes e pediu condenação do réu

Por Gabrielly Farias 05/10/2026 17h05 - Atualizado em 05/10/2026 18h06
Promotora diz que crime contra blogueiro foi político e cita suposta arma
Promotora Adilza Freitas participa dos debates no júri do caso Adriano Farias, em Maceió - Foto: Ascom MPAL

A promotora de Justiça Adilza Freitas afirmou, durante os debates do júri de Carlos Henrique Ferreira Santos, de 37 anos, que o assassinato do blogueiro político Adriano de Farias Firmino Silva, de 33 anos, teve motivação política. O julgamento ocorre nesta segunda-feira (5), no Fórum do Barro Duro, em Maceió.

Ao iniciar a sustentação da acusação, a promotora fez referência ao aniversário da Constituição Federal e afirmou que os jurados têm a responsabilidade de decidir sobre o tipo de sociedade que desejam. Segundo ela, o caso envolve a discussão sobre o uso do poder para ordenar a morte de pessoas.

Adilza Freitas também citou a situação da mãe de Adriano, que, segundo a promotora, adoeceu após o assassinato e atualmente está intubada, em estado grave. “Esse crime, não temos dúvidas, foi político. Há uma investigação em andamento sobre os mandantes do crime”, afirmou a promotora.

Durante os debates, ela também sustentou que o homicídio teria envolvido mais pessoas além do executor. Segundo Adilza, havia outros dois homens inicialmente apontados na investigação, mas o entendimento do Ministério Público foi de que não havia elementos suficientes para levá-los a julgamento.

A promotora afirmou ainda que consta nos autos a informação de que Carlos Henrique teria ido à casa da ex-mulher um dia antes do assassinato e pegado uma pistola calibre 9 milímetros. Segundo ela, esse seria o mesmo calibre da arma utilizada para matar Adriano.

Adilza também mencionou conversas apresentadas no processo, entre elas uma mensagem com a frase “pistoleiro não entrega não”. Para a promotora, o conteúdo indicaria uma tentativa de impedir que o responsável pela execução revelasse quem teria ordenado o crime.

A acusação também rebateu versões apresentadas para tentar descredibilizar a vítima e testemunhas. A promotora citou, entre outros pontos, alegações sobre um suposto relacionamento de Adriano com uma mulher casada e uma possível ligação com o Comando Vermelho.

Ao longo da fala, Adilza comparou o caso ao assassinato do professor Paulo Bandeira e afirmou que Adriano teria sido morto por divulgar críticas à administração municipal.

O blogueiro foi assassinado em 18 de junho de 2024, no povoado Retiro, na zona rural de Junqueiro. Segundo a denúncia, ele havia saído de uma academia e seguia para casa quando foi atingido pelos disparos. Mesmo ferido, conseguiu dirigir por cerca de 50 metros antes de perder o controle do veículo e colidir.

Carlos Henrique foi preso em agosto de 2024 durante uma carreata política em Teotônio Vilela. Ele é apontado pelo Ministério Público como executor do homicídio e permanece preso preventivamente. A defesa nega as acusações.