Justiça

Homem é condenado por chamar jogador de futebol de 'urubu' em Alagoas

Denunciado pelo MPAL chamou o atleta Elivan Costa Damascena, conhecido como Dinda, de “urubu” durante partida de futebol em São Brás

Por 7Segundos, com MPAL 21/10/2026 14h02 - Atualizado em 21/10/2026 14h02
Homem é condenado por chamar jogador de futebol de 'urubu' em Alagoas
Caso aconteceu durante o Campeonato Alagoano da Série B, em São Brás - Foto: Reprodução/FAF

Um homem foi condenado a dois anos e oito meses de reclusão, além de 13 dias-multa, por injúria racial contra o jogador de futebol Elivan Costa Damascena, conhecido como Dinda, durante uma partida em São Brás, no interior de Alagoas. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da Promotoria de Justiça de Porto Real do Colégio.

O caso aconteceu em 10 de maio de 2026, durante uma partida válida pelo Campeonato Alagoano de Futebol da Série B, na categoria Sub-23, entre Miguelense Futebol Clube e Sporting Futebol Clube. Segundo o MPAL, Marcelo Batista da Silva estava próximo à grade que separa a torcida do gramado quando passou a chamar o atleta de “urubu” após um lance do jogo.

De acordo com o Ministério Público, Dinda, que é negro e atua como jogador profissional há mais de dez anos, sentiu-se humilhado com a ofensa. Ao perceber os insultos, ele comunicou o ocorrido ao árbitro e pediu a paralisação da partida, além de acionar a Polícia Militar que estava no estádio.

O árbitro interrompeu o jogo, e jogadores das duas equipes confirmaram as ofensas racistas. Durante a investigação policial, o acusado admitiu parcialmente ter ofendido o atleta, conforme informações divulgadas pelo MPAL.

Condenação

O promotor de Justiça Alex Almeida fundamentou a denúncia no artigo 2º-A da Lei nº 7.716/1989, que trata da injúria racial, equiparada ao crime de racismo pela Lei nº 14.532/2023.

Na sentença, a pena de reclusão foi substituída por prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas, pelo período correspondente à condenação, conforme determinação judicial.

Para o promotor, a decisão reforça a importância do combate à discriminação racial.

“O respeito é algo indispensável e deve ser adotado por todos em relação ao outro. É inadmissível que, em pleno século XXI, pessoas sejam agredidas pelo fato de serem negras”, afirmou Alex Almeida.