Seca atinge todo o território de Alagoas e preocupa municípios
Prefeito de Pão de Açúcar alerta para dificuldades no abastecimento de água, perdas na agricultura familiar e necessidade de apoio dos governos estadual e federal
O vice-presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) e prefeito de Pão de Açúcar, Jorge Dantas, concedeu duas entrevistas na manhã desta segunda-feira (26) para abordar o avanço da seca em Alagoas e as preocupações com os efeitos do El Niño. A primeira foi à rádio Jovem Pan, no programa JP News, com Ricardo Santa Rita e Marcos Vasconcelos. Em seguida, participou ao vivo da programação da TV Asa Branca, afiliada à TV Globo.
Durante as entrevistas, Dantas destacou as dificuldades enfrentadas pelas administrações municipais para garantir o abastecimento de água e atender às comunidades afetadas. Também chamou a atenção para os prejuízos à agricultura familiar e os reflexos da estiagem na renda e na alimentação das famílias.
Para o vice-presidente da AMA, ampliar o debate é fundamental para mobilizar apoio e antecipar medidas diante do risco de agravamento da situação nos próximos meses. “A situação da seca está bastante grave e a tendência é se agravar. Precisamos chamar a atenção da população e, principalmente, das autoridades estaduais e federais para socorrer os municípios”, afirmou.
Segundo o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), referente a setembro, 100% do território alagoano apresentou algum grau de seca, enquanto a classificação grave alcançou 22% da área estadual. Os indicadores representam a abrangência e a intensidade do fenômeno e são distintos do reconhecimento de situação de emergência dos municípios.

Ao falar sobre o cotidiano do Sertão, Jorge Dantas explicou que a perda das lavouras compromete tanto os alimentos destinados ao consumo próprio quanto os produtos que seriam comercializados para complementar a renda familiar. Ele relatou que, nas comunidades afetadas, a produção de milho e feijão representa uma reserva importante para os meses seguintes à colheita.
“As pessoas plantam milho e feijão, guardam uma parte para consumir ou para os animais e comercializam a outra para atender a outras necessidades. Infelizmente, neste ano, muitas famílias não vão ter essa reserva”, destacou.
A escassez de água também foi apontada como uma das principais preocupações. Mesmo em Pão de Açúcar, município situado às margens do Rio São Francisco, comunidades dependem do abastecimento por carros-pipa. Em setembro, conforme informado pelo prefeito, foram distribuídas 948 carradas de água com recursos municipais.
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