Justiça

Testemunhas apontam que assassino do Bosque costumava importunar sexualmente mulheres

Mulheres afirmaram que Anderson Gonçalves já havia importunado sexualmente outras pessoas antes do estupro e assassinato de Cícera Laura, em Arapiraca

Por Erick Balbino 04/11/2026 10h10 - Atualizado em 04/11/2026 10h10
Testemunhas apontam que assassino do Bosque costumava importunar sexualmente mulheres
Câmeras flagraram ele perseguindo a vítima no Bosque das Arapiracas - Foto: Reprodução

A primeira testemunha ouvida durante o julgamento de Anderson Gonçalves, acusado de estuprar e assassinar Cícera Laura da Silva, de 47 anos, relatou que já havia sido vítima de importunação sexual atribuída ao réu. O depoimento foi prestado nesta quarta-feira (4), durante o júri popular realizado em Arapiraca, no Agreste de Alagoas.

Segundo a testemunha, o episódio aconteceu aproximadamente um mês antes do crime, registrado em janeiro deste ano, no Bosque das Arapiracas. Ela contou que costumava fazer caminhadas na região e que Anderson aparecia próximo à residência dela, acompanhando o trajeto.

A mulher afirmou que, em uma dessas ocasiões, o acusado se aproximou repentinamente, deu um tapa em suas nádegas e, em seguida, exibiu os órgãos genitais.

"Ele chegou a mexer comigo. Ele andava perto da minha casa e a gente fazia caminhada, mas ela sempre saía na frente. Um mês antes do crime, ele apareceu do nada e deu um tapa em minhas nádegas e eu dei um nele. Aí ele botou os órgãos genitais para fora e disse: 'Olhe o que eu tenho para vocês'", relatou.

Ainda conforme a testemunha, Anderson teria adotado o mesmo comportamento com outras mulheres. Ela afirmou que reconheceu o suspeito quando imagens e fotografias dele começaram a circular após o assassinato de Cícera.

"Quando apareceu a foto dele, reconheci e disse o que ele tinha feito comigo", declarou.

Irmã também relatou episódio de importunação

A segunda testemunha ouvida é irmã da primeira mulher. Ela confirmou a situação relatada e disse que já conhecia Anderson porque ele havia acompanhado as duas durante caminhadas por aproximadamente três dias.

De acordo com o depoimento, no último desses encontros, o acusado teria dado um tapa nas nádegas da irmã, exibido os órgãos genitais e feito uma declaração de cunho sexual.

"Eu já conhecia ele, porque por uns três dias ele acompanhava a gente e, no último dia, ele bateu nas nádegas da minha irmã, mostrou os órgãos genitais, disse um palavrão e falou: 'Olhe o que tenho gostoso para vocês'", contou.

A mulher afirmou que chegou a repreender o suspeito e ameaçou chamar a polícia. Diante disso, segundo ela, Anderson fugiu do local.

A testemunha também explicou como relacionou o acusado à morte de Cícera Laura. Ela soube do assassinato depois que a irmã comentou que a mulher que costumava caminhar à frente delas havia sido encontrada morta no bosque.

Durante os questionamentos da promotora, relatou que viu fotografias do suspeito nas redes sociais e, ao tomar conhecimento da identidade dele, procurou a irmã para confirmar se seria o mesmo homem que havia praticado a importunação sexual.

"Eu vi nas redes sociais, mas, assim que soube, perguntei à minha irmã: será que foi aquele cara que te deu um tapa? Aí, depois, vi que tinha sido ele mesmo", afirmou.

Os depoimentos foram apresentados durante o julgamento que busca esclarecer as circunstâncias do estupro e assassinato de Cícera Laura, ocorrido no Bosque das Arapiracas, em janeiro deste ano.